Sunday, June 01, 2008

Capítulo 42 – A Virada



Tentando, sem perceber, cumprir o motivo de sua vinda - como havia revelado ao recepcionista -, ele inevitavelmente pensou em sua vida até o presente momento. Não foi longe. Limitou-se ao momento em que chegou à porta do hotel. Como se nada do que vivera antes realmente tivesse existido. Um ponto crucial. Diante de tanta frivolidade todo o vivenciado era um simples deixar para trás.

- Este momento é o mais importante de toda minha vida! Tudo está nele..., os ruídos e afazeres mórbidos do hotel, da rua lá fora, das satisfações e desesperos de cada um que ao longe, dentro do hotel, ouço enquanto todas as minhas esperanças se resumem numa última respiração.

Ainda imóvel no mesmo local de sua origem, Fausto identificou sua perplexidade diante do inesperado.

– Estou prestes a morrer!

- Mas que garantia tens tu de permanecer até o próximo chá? Perguntou sua mente.

- De que não serei o que havia planejado para mim mesmo. De que o viver se estabelece na poeira leve e imperceptível do tempo despreocupado, do tipo de poeira que se acumula delicadamente sobre os livros, sobre a escrivaninha e o laptop. A poeira que sem necessidade alguma cobre a alma, cega os olhos e entorpece a determinação.

Não era outra coisa que motivara a resposta de Fausto a não ser o breve medo atravessado de relance pela fechadura.




0 comments: