
Do lado de fora, pela fechadura da porta, alguém acompanhava cada detalhe do drama mental enfrentado por Fausto naquele momento. O brilho da luz, talvez do sol ou da lâmpada do teto – a pessoa que estava sacando pela fechadura não estava consciente do horário, se dia ou noite –, mas o que importava naquele contexto era saber o que se passava na existência de Fausto. E isto ela estava conseguindo detectar. Tudo estava tendo efeito, como já era de se esperar.
Rumores no corredor. Ela, a pessoa espiã, sem intenção esbarrou sua testa na porta, provocando certo estrondo. Uma dor brilhante e memorial chamou a atenção de Fausto. .
Eu não sábia o que era, mas diante de tantos imprevistos e suspeitas encontradas neste hotel, o mínimo que eu pude fazer foi dirigir-me à porta e preparar-me para o pior. Como sabemos, este mundo é um local de perigo a cada passo. O calor agora toma conta de todo o meu corpo e meu sangue ferve numa circulação explosiva. A situação toda traz à memória cenas de filmes terroristas, mesmo que eu não tenha a menor atração por filmes sensacionalistas de holliwood. Um cheiro de morte apavora meus sentidos enquanto minha saliva desce seca pelas traquéias. Duas alternativas eu teria neste momento: ou concretizar minha sensação de morte, que segundo um velho sábio da índia o ser humano pode pressentir a chegada de seu momento derradeiro, assim como os animais pressentem a chegada de seu executor assim que entram e sentem o clima do matadouro; ou entender que tudo não passou de um grande delírio alucinatório causado pela própria atmosfera esquizofrênica do mundo material e, consequentemente, deste hotel miserável.
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