
De si mesmo. Estefânio olhou para seus pés e por alguns instantes sentiu algo quente correndo por suas veias, começando pelos pés, que agora estava descalço e pisando no assoalho quase frio da madeira envelhecida do quarto onde se hospedara. Um calor estranho e sugante. E ele pensou: ‘estou sendo arrastado por algo, para dentro da boca do tempo, que está me devorando como um pitbull violentado por seu dono. Estou sendo devorado e nem mesmo meus sentimentos tem peso dentro de mim, nem mesmo meus pensamentos ganham asas douradas e voam para fora desta gaiola elementar, nem mesmo minha voz ganha os ouvidos de cada célula e átomo varrido pelo tempo. O que me resta é apenas deixar este sulco brutal de sucção sugar-me por todos os poros até os ossos da arquitetura de toda a minha vida. E eu que nunca pensei em morrer, que sempre acreditei ser eterno diante deste grande rio que flui feito vento e tempestade. ’
O sangue continuava quente até sua cintura. Suas mãos começaram a se umedecer ao entrar em contato com o seu rosto. De seus olhos saiam lagrimas sem sabor. E os segundos ganharam uma eternidade para se concretizar em cada movimento. Ele não estava morrendo, mas sua mente acreditava no óbvio: estou morrendo!
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