
Era o que se passava. Como decidir por algo? Estefânio Dedalus realmente não sabia o que decidir. Seria a vida de escritor fadada ao fracasso e morrer sem últimas palavras. Toda a sua vida estava prestes a estilhaçar-se pelo chão de vidro e ainda assim sem saber que direção tomar. Olhou para a direção que seus olhos estavam se dirigindo, vendo que eles estavam à toa no espaço, a procura de uma meta ou qualquer coisa assim. Como uma bolha de sabão, sensível e atraente até que o tempo a extermine entre os átomos de hidrogênio e oxigênio.
Um passo em falso e tudo acabado. E o tempo não espera por ninguém, nem mesmo que seja para um leve suspiro de madrugada.
Seu futuro estava ali parado, cada segundo mais distante e quase inalcançável. Apenas contemplativo e soluçante. Pensou na possibilidade de não assumir a culpa, já que Anna Lívia Plurabelle era muito bonita e inteligente. No seu nível, claro. Sua mente modelava os corpos de diferentes modelos famosas em questão de frações. Ela era uma belíssima mulher. De passarelas, propagandas e out-door. Mas foi apenas pensando nisto que ele decidiu que não havia por que correr um risco tão inútil. A vida é curta e feita de momentos únicos, diferente dos dias de um rio que corre sem parar e nunca sendo o mesmo, pelo menos em sua realidade líquida.
É assim que estou vivendo nos últimos dias. Em completa incerteza e deixando tudo incompleto. Posso ver que nada está indo até o fim. Minha vida está fragmentada em milhões de palavras. Será esta mesma a vida de um escritor..., morrer sem últimas palavras? Pensou em silêncio enquanto se dirigia em direção à porta, já voltando seu olhar para o mundo físico de temperatura e aromas indesejáveis. Anna permaneceu parada, receosa do pudesse ocorrer, já que seus planos haviam sido frustrados.
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