Veio à memória de Estefânio Átila, a cadela de seu irmão. A última vez que ele a viu ela estava muito mais velha do que imaginava. Ela o olhava com olhos gastos pelo tempo e latidos. Seus pêlos estavam mostrando os cabelos brancos que a qualquer momento seriam instalados nos pigmentos capilares de sua cabeça.
O ponteiro de segundos do seu relógio havia dado milhares de voltas até aquele momento, até que Átila tivesse envelhecido, até que os dias e as madrugadas tivessem corroído as batidas de seu coração canino, pensou ele, relembrando enquanto tentava definir como resolver sua situação humana com Anna Lívia. Sim. A cadela era mais amiga num sentido, apesar da baba que ela sempre deixava nos braços e nas mãos, ela era sempre amiga e vegetariana. Mas e Anna Lívia? O que ela era? Havia conhecido ela há poucas horas e agora.
Agora estou com esta garota no meu quarto. Na minha cama. Querendo que eu a jogue no inferno com roupa e tudo, pensei. Mas meus pensamentos pareciam tomar o volume de uma pirâmide em proporção e sonoridade. Senti medo de que ela ouvisse meus pensamentos, então deixei de lado a idéia da cadela de meu irmão e pensei em como resolver logo esta situação para que eu pudesse o mais rápido possível sentar-me e cair em escrever até não ter mais condições. Era disso que eu precisava e não de comida, papos sem custo ou sexo para gastar o tempo. O famigerado tempo que consome tudo e todos, até mesmo Átila.
Como ler a história dela?
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