(Estefânio, enquanto olhava para uma formiga carregando migalhas de pão, talvez de um outro hóspede que esteve naquele mesmo quarto anteriormente). Por que não me falas de tua felicidade e não fazes mais que mirar-me?, o animal talvez desejasse falar-lhe: porque esqueço a cada instante o que quero responder.
E se assombrou duplamente: em primeiro lugar, frente à atitude imóvel do animal a fitá-lo, exatamente como o fazia antes da formulação de sua pergunta. Era como se nada houvesse ocorrido. Em segundo lugar, frente a si mesmo e à sua própria incapacidade de esquecer, à sua ligação apegada ao passado. Ainda assim, esse tempo decorrido e repleto de lembranças vergará seu corpo, dificultará seu passo, como um fardo obscuro e invisível. Ele também se emocionará ao ver a criança que, nada tendo ainda a lamentar, vive entre o presente e o passado, entrega-se a seus jogos com venturosa inconsciência.
É apenas uma formiga, Estefânio! Está maluco? Anna pensou ser uma estratégia. Na verdade era isto misturado com a ansiedade de escrever. De não ter que suportar sua falta de individualidade vulcânica.
É, um diálogo impossível por palavras. A partir de então, os rumos da história adquiriram uma complexidade e variedade estimulantes: a história, a geografia, a lingüística, a psicologia, a antropologia, a matemática, poemas, palavras, canções, contos, romances, dramas, signos, paisagens, formas de cultivo, ervas daninhas, eclipses da lua, exames de pedras feitas por geólogos, análises de espadas feitas por químicos, religião feita por homens e dúvidas apresentadas por deuses e santos.
Saturday, December 16, 2006
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