Manteve-se atento na reação dela com total predisposição para até mesmo cair num buraco escuro devido ao seu esquecimento. Foi a janela. Olhou para fora vendo em sua mente uma cena do tipo abrir a janela e acender um cigarro. Daí acordei da ilusão festiva e cheia de areia. Olhei para fora queimando com o sol pesado. Respirei fundo como um não fumante e voltei o olhar para Anna. Neste movimento senti todos os ponteiros de todos os relógios batendo seu tempo pressionado entre a espera e o atraso. Nos olhos dela. Um rio sonoro dançando a beira do silêncio. Apenas uma lembrança corriqueira de uma ex-namorada que agora está casada, com filho e gorda. Sempre meio chata como quase todos que fazem química. Ela estava numa esquina do parque central da cidade numa destas tardes que anteciparam o hotel. Mas tudo bem, foi apenas um relance quase relâmpago, destes que varrem a mente em segundos.
Não havia mais nada no quarto. Ele ganhara uma outra cor, meio verde, meio laranja. Até que percebi ser a claridade do sol comendo meus olhos.
Havia apenas um fluir sonoro, quase uma corrente elétrica conduzindo tudo para dentro dos ouvidos. Ambos estavam ouvindo este mesmo som que não existia em lugar nenhum a não ser dentro deles mesmo. Um território de silêncio onde paira todo o nosso ser sem falhas ou ansiedade. Estefânio e Anna pensavam ser isto um som da alma, mas ela não faz barulho ou o menor ruído, pelo menos é o que Estefânio sabia de suas experiências infantis de acordar cedo antes de todos e brincar escondido pelos quartos da casa, fingido ser bandido enquanto todos dormiam. Nestes momentos nenhum ruído era permitido e sua alma respondia com total obediência. Mas agora ele notara que não era a alma que estava obedecendo ele neste momento diante de Anna, sim ele é que estava parado e ouvindo as vibrações que saiam de algum ponto do espaço ao seu redor. E o mesmo se passava com ela. Uma sonoridade que acalma a mente como se estivesse ligada numa tomada de 110 volts. Nada mal. Ficaram curtindo aquele instante quase mágico e por inteiro. O quarto sem cor definida e um som ligando suas almas sem mais nada. Alguns minutos que foram na verdade poucos segundos e..., alguém chega até a porta e um novo e agora sim um barulho ardido e ameaçador invade sonoramente o quarto, a os ouvidos e o espaço reservado da mente.
Saturday, May 27, 2006
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