Wednesday, April 19, 2006

Capítulo 12 – A Posição

Como não está para a morte? O que há de errado? Natural. Não há morte neste sentido arcaico ou institucionalizado pelo pensamento secular, entende?
...por exemplo, vamos olhar a Inglaterra do século dezessete. Na Inglaterra do
século dezessete eles tinham problemas. Uma das coisas era que os efeitos da
Europa, do que havia sido uma Europa unida, uma Cristandade unida, a Europa
unida que havia como que concordado em odiar os não europeus e não cristãos, e
de repente você tinha uma situação na qual havia uma reforma protestante, que
começou é claro na Alemanha, com Lutero, e se espalhou para a Suíça com
Calvino, e depois, por outras razões, o rei da Inglaterra, Henrique o Oitavo
rompeu com a Sagrada Igreja Romana, e assim por diante. E isto,.... porque,
....quero dizer, tudo faz parte de uma história, agora imagine estas emoções fortes nos corações de pessoas que de fato lideravam exércitos. E controlavam estados
e que não tinham realmente como princípio sagrado a não violência. A morte era algo natural. Foi uma época muito turbulenta. E é claro que naturalmente devido a que eram seres humanos estes conflitos religiosos transbordaram, porque diferentes grupos
sectários se apegavam diferentes teorias políticas e, portanto, todos os tipos
de conflitos políticos foram gerados, e de qualquer forma, sem entrar na
historia toda, eles finalmente tiveram uma guerra civil na Inglaterra, creio
que 1650, qual era o nome daquele personagem? Oliver Cromwell. Que liderava
aqueles que eram chamados cabeças redondas, e eles depuseram o rei, depois
o libertaram, depois ele disse que seria um bom menino, mas não foi, e eles
finalmente cortaram a cabeça dele fora. O ponto que eu queria
levantar é que as pessoas na Inglaterra ficaram tão queimadas, tão desgostosas
e exaustas deste conflito interno: vou morrer? O que morrerá é apenas este corpo que foi criado dentro deste hotel sufocante e que não poderá sair daqui. Ele está limitado por estas paredes deste hotel-prisão. E ainda assim, não perca o entusiasmo. Que por algum tempo na Inglaterra, na segunda metade do século dezessete, uma das coisas mais ofensivas em inglês que você podia dizer sobre alguém era acusar esta pessoa de ser entusiasta. De qualquer forma. Sim, é verdade. Então, a razão pela qual estou falando sobre isto é porque acredito que, de uma forma muito mais amena, algo parecido
está acontecendo aqui entre nós dois. Você não pode perder seu entusiasmo, pois ele vem de você como alma e não de você como corpo.
Mas como posso ser entusiástica se estou morrendo a cada momento e já tenho consciência de que não poderei sair deste hotel?
Para atingir a estabilidade e ao mesmo tempo estar mobilizado, é uma arte. Estar se movendo e ser imaturo, você sabe, não é tão difícil. E ser estável, você sabe, maduro
e não estar se movendo tampouco é tão difícil, como temos visto. Mas o
verdadeiro truque e ser estável e maduro e ao mesmo tempo mobilizado, em
movimento. De forma que não é embaraçoso ou mesmo imaturo, entusiasticamente
querer tornar o mundo consciente de Deus, consciente de Krishna. Conversar sobre como fazer o mundo consciente de Krishna. Salvar o mundo. E assim por diante. Mas tenho que falar desta forma porque é verdade, é real. “De que
serve vocês serem Americanos, Russos, Europeus, Brasileiros a não ser que façam algo de maravilhoso.”
Mas...
Não perca tempo! Por que não aceita que você é um ser espiritual eterno que está temporariamente dentro de um corpo material que se acabará em breve? Por que não deixar outros seres vivos viverem livremente com direito à vida? Por que não aceitar a existência de um ser Supremo, uma Pessoa Absoluta que é plena de todas as opulências ilimitadas? Aceite, numa boa, sem fanatismo, sem receios, entende?

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