May I never be adicted to books anymore. Muito pouco adepto às leituras dos outros. But during the trip I bought Crime and Punishment, Portrait of the Artist as an Young Man, Ulysses and L'étranger. Claro que outros que me falham na memória, agora. Momento difícil. Desci entre a multidão perdida em minha mente. Vi rapidamente Derek. Ele me viu? Sther, Sther! Não, apenas seu amor explosivo é que refletia em seus desejos. These are only to decorate my bedroom, I'll never read them. I'm illiterate, and proud. O cara me chamando. Eu correndo. Sentindo o tempo me consumir, um fio do começo ao fim. Carregando apenas o laptop e uma pequena mochila, entro num hotel, alguns quarteirões dali. With very similar thematics of sand, eroticism, time and the meaninglessness of samsara. Nasci e morri várias vezes neste mesmo local, com esta mesma roupa, com estes mesmos pensamentos e desejos. Estou de volta, mas acho que está mudada a cara deste velho hotel.
Seu tempo pode ter se acabado aqui, meu amigo. Seu apego é a causa desta constante fuga e disfarces. Sai do carro, entra num hotel. Encarcere-se num corpo dependente. E quando esta farsa chega a seu fim? Não falta o que inventar, peco pelo excesso. Expansivo que você é, quer sempre mais. De agora em diante, estaremos ambos a postos. Frente a frente. Supposedly I’ll be the interpreter for six Brazilian metropolises: Salvador, Rio, São Paulo, Curitiba, Recife and Porto Alegre. Qualquer local é sempre o mesmo problema: chegar, envelhecer, adoecer e partir novamente.
Mas, espero que Sther tenha ficado para trás. Novo estágio. Minha entrada neste hotel que posteriormente viria a saber que estava em chamas como quase tudo, em explosão, caos, terror... No íntimo de seu coração de pedra. E a memória também é matéria.
Eu passo a ser apenas um hóspede neste hotel. Ao meu lado, assim que entro, um cara que tem vinte anos por erro na ordenação cósmica. Estes ratos chegam todos os dias neste mesmo horário ai no forro e fazem a maior barulheira.
Depois de sete horas explorando a boa vontade de amigos malucos e flanando por cybercafés, volto a escrever. Foi para isto que aceitei me hospedar neste hotel. Minha nova residência, ainda não tem cortinas, mesas, cadeiras, fogão e todas essas coisas que as casas comuns costumam ter, apenas uma cama estranha com cara de hospital, mas confesso que a única coisa que realmente me fazia falta era poder sentar-me diante do laptop e escrever. Existem muitos tipos de blogueiros à procura de distinção de ego. Uns fazem disso seu tema, distração e babozeiras; outros, seu estilo, sua vida de sangue-suga. Piratas do oceano virtual. Mas ninguém chega perto de mim quando deixo de fazer qualquer coisa e nem mesmo escrevo. Nesta noite, assim que cheguei, após alguns acontecimentos estranhos, fui dormir, sem escrever. A velocidade da tua força é o sucesso da minha inveja. Os sons da rave ainda ecoam em minha mente mixando o estrondo da lata vermelha. E os sons da cidade matutina, talheres e xícaras para o café da manhã daqueles que entram no emprego oito horas. Acordei de madrugada, ouvindo conversas... Desde pequeno, sempre gostei de brigas e competições. Também, seu idiota. Chegava a jogar War contra mim mesmo, roubando para o inimigo, é claro. Cobiça. É. Esse espírito competitivo acabou me atrapalhando algumas vezes.
Você consegue atualmente se sustentar escrevendo? Pensei comigo mesmo, não como uma competição vazia, mas como uma pergunta ou entrevista feita por alguém e dirigida a mim – pegando carona na conversa lá fora e driblada com meu sono quebrado. Claro, escrevendo meus livros... e duzentos artigos para a imprensa, e dando estranhas conferências, e exercícios nas salas das oficinas, e prefácios e posfácios e apêndices. Distribuindo idéias em raves e half de sk8. É assim que me é possível chegar à escritura mais perfeita: a lista dos hóspedes que já estiveram aqui.
Não estudei piano, (continuou lá fora aqui em minha mente, pelos meus ouvidos), porque percebi que não conseguiria sequer começar a me comparar a qualquer um. Não gosto de comparações. Mas o tempo passou, e as coisas mudaram. Não que eu tenha deixado a competição de lado. Nada disso. Apenas mudei de foco. Mais um aí garçom! Hoje, o que me empolga mesmo são as colunas de reclamações de leitores de jornal... No final daquele ano uma guerra em surdina havia séculos afinal estourou por todo o planeta, e guerrilheiros bascos, palestinos, galegos, curdos, geórgios, irlandeses, até mesmo tibetanos reagiram de maneira organizada aos seus opressores. Tal união de etnias tão distintas era lenda que percorria a internet mundial desde os anos finais do século vinte, porém ninguém imaginava que os boatos poderiam ser verdadeiros... Durante muito tempo, cultivei o desejo de escrever um post que começasse desta maneira. Pensava que deveria tentar, exigir de mim a força necessária para fazê-lo. Cheguei até a completar um texto, mas não conseguia publicá-lo. Por certo tempo, deixei-o ali nos drafts, imaginando que sua hora chegaria. E chegou: dei alguns tiros e hoje eu o apaguei para sempre, junto com uma porção de documentos, sites e blogs envelhecidos pelos bits.
Toda aquela conversa sem sentido me fez perder o sono, mesmo que estivesse muito cansado, me fez lembrar. Eu tenho que publicar o próximo capítulo do meu livro no blog. Mas, lá fora a conversa continuava.
(...) Um cara que só se preocupa com miudezas. Em casa, ele traça algoritmos mentais para tudo. Acorda e, antes de se levantar, imagina a ordem das tarefas que tem a fazer: humm, colocar o pão na torradeira, beber um copo d'água, levar essas meias do quarto para a área, olhar pelo vão da janela quem está passando pela rua, escovar os dentes, checar email. Coloca tudo na seqüência mais econômica e vai fazendo: pega a meia com a mão esquerda, passa no escritório, liga o computador, passa pela cozinha, coloca o pão na torradeira com a mão direita, deixa as meias na área, liga o filtro, vai ao banheiro escovar os dentes, olha, conecta a internet, pega as torradas e o copo dágua... Tudo isso enquanto planeja próxima seqüência do dia e não completa nada do que inicia. Já disseram a ele que isto é esquizofrenia, falta de religião. Em meus momentos esperançosos, me sinto como ele, tentando pular fora do espaço humano da cultura mais nossa. Ele é avesso às grandezas e só enxerga coisas mínimas. O processo, a estratégia, o longo prazo ficam lá, bem fora do alcance da vista. Recursos humanos, demasiado humanos. Nos momentos do desespero sinistro suicida. Se ele fosse uma cara inteligente deixaria numa ilha deserta todos os estúpidos do mundo. (...) Tudo permaneceu assim até que, de súbito, guerrilhas promovidas pela LRMM irrompessem em diversos lugares do mundo. Soldados do IRA bombardearam o parlamento inglês numa operação desesperada, assassinando o primeiro-ministro trabalhista reeleito. Depois de postar fui dar uma volta. Ver o final da noite.
Qual a razão da escrita? Por que devo escrever? Qual o sentido de se passar uma idéia? Foi o que se passou por mim enquanto caminhava em direção à varanda, onde algumas pessoas. Há uma razão, nada é por acaso! Uma bola de fogo que desperta as pessoas para a realidade. Melhor saber qual a razão da vida, com ela a razão de eu escrever. Sim, você poderia escrever sobre sua coxinha de frango, aquela que você estupidamente comeu num boteco de esquina, sobre sua última transa, sua mais extática viagem de ácido, sua inesquecível rave, suas compulsões e doideiras mentais. Mas, que vale tudo isto? Que valor tem? Porcaria nenhuma! Somente quando você escreve deixando partes de seu ser em cada palavra e sílaba é que saberá a razão de escrever. Há um compromisso com o que diz. Você tem que escrever de tal forma que quem o ler sairá desta ilusão, sairá deste hotel em chamas. Tá! Qual seu nome? Anna Lívia Plurabelle. Também escreve? Não, sigo as cicatrizes que a vida deixa em mim. Escrevo nelas e com elas. Tento apenas seguir o fluxo que me leva à união com o supremo. Pulando sobre as palavras rapidamente antes que elas se afundem no senso comum de nossas propensões de marasmo e preguiça de pensamento. Comodismo. Mas, e você? Estafânio Dedaluz, também escrevo para consumir e correr do voraz tempo invencível. Não sei para onde vou. Por isto não sabe a razão de escrever! Tem razão. A esta altura considero que a literatura me tirou mais coisas do que me deu. Um emprego, um casamento, a sanidade.
Você sabe o que faz aqui nesta espelunca parecida com um mix de hotel e hospital? Sabe? Escolhi vir para cá e não quero ver as coisas desta maneira, prefiro acreditar que estou aqui como um turista, desfrutando da minha estadia..., mas, quanto tempo você acha que permanecerá neste lugar? Você-está-preso-sem-qualquer-possibilidade-de-escapar-ou-alterar-seu-programa. Tome meu contato. Falaremos por ele, tenho que fugir. Peguem esta sem vergonha! Um segurança do hotel apareceu de repente correndo atrás dela. Sumiu. Fiquei na minha. Realmente tudo parece muito estranho e louco. Mas, eu não queria ficar pensando no que ela havia dito. Embora fosse impossível.
Pensei em me proteger, já que estou num habitat muito fora do convencional para mim. Como um crítico que sou sobre mim mesmo, eu antecipei todos os ângulos possíveis que um revisor ou policial da cia possa encontrar. Assim não há nenhuma surpresa nos termos de nenhum escrito meu. Eu era muito mais violento em meus textos do que qualquer um poderia imaginar. Mas aqui vivo em minha própria narrativa, violência por todos os lados.
O cheiro de carne assada pela primeira vez me fez sentir nojo e vomitar nas paredes da varanda. Estava sozinho com aquele cheiro de cremação ensopada. Lembrei de Derek e seus cães lacto-vegetarianos. Daqui pra frente não como mais corpos mortos, apenas vivos. Aqui eles sempre perseguem algo, ostensibly fora de sua busca pela beleza, então, uma vez que começam não param, até os próximos corpos, eles travam, eles matam, furam com um pino através de seu abdômen, dissect o e etiquetam-no. O processo inteiro, eu encontro, não sou feliz ou saudável aqui, constatei. E o mais bem sucedido e honrado escritor. O menos provável. O escritor é demolido por um outro escritor. O corpo por um outro corpo. A vida por uma outra vida. Um sonho por um outro sonho. A alma, não. Can't say I understand this question. Ela ninguém entende. Por isto me ponho a refetir sobre a razão de escrever. Sou jogado nela. Mesmo que even their album covers seemed progressively more commercial, mantenho-me na margem, quero poucos e com qualidade. Não me vendo! Não estão me vendo? Por isto o compromisso com minha hospedagem aqui. Devo escrever com responsabilidade. Como um discípulo diante do guru.
And because I have done many interviews. And because I have let people take my picture. And because my goddamn picture has been in just about every fucking magazine and newspaper printed in Brazil. Ainda assim, quero dar uma idéia do que vejo diante de mim neste hotel. Estou num hotel em chamas, num hospital carniceiro, num hospício de fine peoples. Estou no mundo material. Las inmensas protestas de devoción y sacrificio malamente recompensados, el amontonamiento de invocaciones a los castigos más célebres, para rematar con el anuncio de nuestros destinos, que consistían en que las tres terminaríamos en la calle. Juntos sendo arrastados pela vida, acumulando invocações, castigos celebrados como sacrifício. Mas só há uma verdadeira devoção. Tome cuidado com sua ilusão, disse Anna Lívia Plurabelle, à distância, longe, quase desaparecida das minhas vistas, do meu horizonte de paredes e sol televisivo. ¡Había caída víctima de mi propia ficción! Cuidado para não ser seu próprio refém de sua criação.
Fecho os olhos e me fixo nos pés etéreos. Medito no aroma da eternidade enquanto o dia clareia, iluminando a fugacidade da.
Friday, December 16, 2005
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